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Substituição do fluído dos travões no Citroën C3 2006

Após a substituição dos calços dos travões decidi que já era altura de mudar o fluído dos travões/embraiagem, uma vez que, o que estava no sistema, ainda era o de origem.

Este foi o “chá” que saiu do sistema de travagem (já se encontra um pouco diluído porque se misturou com o novo).

 

Fluído Usado

A cor do novo fluído, para comparação, pode se ver dentro do tubo

 

Fluído Usado

…mais do mesmo “chá”…

 

Fluído Usado

… mais uma foto onde se pode ver todo o dispositivo usado para receber o fluído que saíu dos parafusos de purga

 

O tubo (6mm de diâmetro interno) encaixa perfeitamente nas pontas dos parafusos de purga no Citroën C3 2006 🙂

Vou tentar explicar com algum detalhe o processo que usei para fazer o serviço

Primeiro, comecei por tentar esvaziar o reservatório de fluído no compartimento do motor. Mas esta tentativa acabou por ser infrutífera.

O problema é que o C3 e provavelmente outros veículos PSA, e até mesmo outros veículos Europeus, usam o mesmo sistema. Trata-se de usar um único depósito para ambos os sistemas hidráulicos de travagem e de embraiagem. E, para fazê-lo, compartimentaram o depósito com um tanque intermédio para o circuito de embraiagem.
A minha ideia era aspirar o líquido antigo do reservatório, tal como tinha visto os mecânicos nos EU a fazer facilmente. Mas isto simplesmente não dava neste veículo.

Sendo assim decidi tomar uma atitude, para com o problema, mais arrojada. Iria usar ar comprimido no reservatório e obrigar o líquido velho a sair pelo parafuso de purga mais próximo (esquerdo frontal).
Uma coisa que me fartei de ouvir e ler antes de fazer o serviço foi para NUNCA DEIXAR A BOMBA DE TRAVÃO FICAR EM SECO.
Para evitar que isso acontecesse eu estava a monitorizar o nível no depósito à medida que ia saíndo para a garrafa e assim que o nível atingisse o mínimo ou aproximadamente ao nível da entrada na bomba de travão eu iria parar e colocar fluído novo para começar o processo de substituição/lavagem do sistema.

Isto era tudo muito bonito na minha ideia mas, como “noob” neste tipo de serviço, tinha que fazer asneira. 😛

Estava ali todo contente, com aquilo a drenar e tal… quando, de repente, ouço uma rajada de ar na garrafa.

Fui verificar dentro do depósito com uma iluminação melhor (já estava de noite) e estava comprovado que a diagonal EF-DT (esquerda frente-direita traseira) na bomba de travão tinha sido completamente esvaziada.

Pus-me então a tentar descobrir como é que deixei aquilo acontecer, e foi então que topei que não estava a seguir o verdadeiro nível de fluído de travão dentro do reservatório. Eu estava a monitorizar o nível no sub-tanque da embraiagem e não reparei que abaixo e por detrás deste estava o líquido a ir-se. Eu bem que estranhei que aquilo nunca mais descia 😛

Uma vez que já era de noite e já tinha feito borrada decidi continuar no dia seguinte e, entretanto, repensar as minhas opções para colmatar o problema.

No dia seguinte fui tentar remediar o que tinha feito e acabar o trabalho. Colocar o carro pronto para a estrada e, claro, em condições seguras de condução.

Coloquei então fluído novo no depósito até um pouco acima do nível máximo e comecei a fazer uma purga por gravidade no mesmo purgador que tinha usado antes e tentar encher aquela parte do sistema e remover todo o ar que tinha introduzido naquela linha.

Algumas horas mais tarde decidi purgar forçadamente através do mesmo purgador (não havia grande fluxo, se algum, por gravidade). Com o purgador fechado novamente, adaptei o dispositivo ao depósito. Coloquei a pressão (apenas ar) em cerca de 1 bar e abri o purgador outra vez.

Assim que o fiz, saiu muito ar a fazer bolhas num pouco de líquido no tubo e depois começou a correr o fluído novo.

Deixei assentar um pouco e depois fechei o purgador e fui bombear no pedal de travão para tentar forçar todo o ar para fora.

Com fluído no tubo à saída do purgador e como o purgador aberto carreguei mais algumas vezes no pedal para forçar o ar a sair. Tive o cuidado do fazê-lo à mão e não deixar ir muito a fundo, apenas operar na zona habitual de uso numa travagem normal.

Depois fiz o processo de purga forçada, agora sempre com o nível de fluído novo próximo (acima) do máximo, sem esquecer de verificar e adicionar sempre, para cada travão, até que saísse líquido novo (cor clara).

Na outra roda, diagonal com a primeira (direita traseira), havia algum ar emulsionado que saiu com o fluído velho e algum novo. Este terá emulsionado quando operacionei o pedal de travão e este empurrou o ar para aquela linha.

Substituição dos calços dos travões no Citroën C3 2006

Que bela surpresa eu tive quando fui verficar o estado dos calços de travão do carro.

Pastilhas Gastas

Pastilha Gasta Lado Direito

Pastilha Gasta Lado Esquerdo

 

O procedimento:

Para começar… Levantei a parte frontal do carro e coloquei-a sobre suportes (jack stands) da seguinte maneira:

Macaco Hidráulico e Pregui;a

Preguiça
Já agora, este não é o melhor tipo de chão para trabalhar porque o macaco de rodas precisa de se movimentar à medida que vai subindo/descendo. Existe, neste caso, a tendência para as rodas pequenas ficarem presas e aumentar o risco do carro escorregar e causar estragos.

Para efectuar o serviço tive que arranjar massa lubrificante de silicone, um bocado carote, para lubrificar os pinos das pinças que trabalham dentro de foles de borracha. Ao todo comprei tudo isto:

Material

Resto do material necessário: Kit de calços de travão que incluía parafusos e espaçadores novos (que já se encontravam instalados, os velhos aparecem na foto); massa lubrificante de silicone para lubrificar junto de acessórios de borracha; massa de cobre (Copaslip) para colocar entre os calços e os espaçadores

 

 

Preguiça

Garrafa de limpa travões barato

 

Ficou com bom aspecto. Mas eu sou suspeito 😀

Travão Esquerdo

Travão Esquerdo

Travão Direito

Travão Direito

 

Depois desta reparação, decidi mudar o fluído hidráulico dos travões/embraiagem no mesmo veículo. Mais sobre isso aqui. Vemo-nos lá 😉